quarta-feira, 20 de maio de 2015

AH, SE SOUBÉSSEMOS O VALOR E O PODER QUE TEM UM ABRAÇO, ABRAÇARÍAMOS MAIS...

Quanto vale um abraço? Vale muito nos momentos que estamos carentes, felizes, tristes. Um abraço de um familiar, de um amigo, de um irmão na fé, de um colega de trabalho, etc, vale amor, amizade, perdão, consolo.. Ah, se soubéssemos o valor e o poder que tem um abraço, abraçaríamos mais,  principalmente as pessoas que convivemos e que tanto amamos.

O abraço verdadeiro transmite a outra pessoa algum tipo de sentimento sem haver a necessidade de dizer uma única palavra. Baseada na Bíblia e em uma experiência pessoal tentarei passar qual importante é abraçarmos uns aos outros.

- Labão e Jacó - Um abraço de Boas Vindas
Jacó não conhecia seus familiares que moravam distantes, porém, quando Raquel anunciou a Labão, seu pai, que o seu sobrinho Jacó, filho de Rebeca, sua irmã, havia chegado, o tio correu ao encontro do sobrinho e o abraçou feliz e o beijou. O abraço do tio transmitiu ao sobrinho que ele era bem vindo ao lar, que ele seria acolhido no aconchego da família.  (Gn 29.10-13).

E nós, temos abraçado àqueles que chegam pela primeira vez em nossa casa, em nossa igreja, em nosso trabalho, em nossa escola, em nossa rua, em nossa cidade, em nosso País? Ou será que os temos rejeitado, sido preconceituosos e indiferentes?

- Esaú e Jacó - Um abraço de perdão
Jacó havia enganado o seu pai Isaque e  tomado a benção da primogenitura de seu irmão Esaú, e para não ser morto, sua mãe Raquel o aconselhou que fosse morar em  Harã, com seu tio Labão. Jacó obedeceu sua mãe e foi para a terra distante, ali se casou, teve filhos, adquiriu bens, porém,  chegou o momento  que Deus o mandou voltar para a terra de seus pais,   entretanto, Jacó ainda tinha medo da reação de Esaú,  e à caminho da terra da terra de Canaã Jacó temendo a ira do irmão pediu a Deus livramento para ele e para sua família e o Senhor o atendeu e milagrosamente: “Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o,  e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o e ambos  choraram”. (Gn 33.4).

Isso é lindo! E uma das maiores expressão de perdão da Bíblia, perdão com sinceridade de alma e de coração: o abraço de saudade, o beijo fraternal, o choro de arrependimento. Para que palavras!  Devemos agir como Jacó para obter o perdão  e como Esaú ao conceder perdão. Com certeza, Deus se agradará desta  nossa disposta e misericordiosa atitude em saber “dar” e “receber” perdão através de um abraço, de um beijo, de lágrimas.Gestos calam fundo na alma!

Paulo e os anciãos de Éfeso – Um abraço de despedida
Paulo permaneceu pregando na cidade de Éfeso três anos, quando de Mileto mandou chamar os anciãos da igreja de Éfeso para o seu último discurso de despedida, pois ele  iria para Jerusalém e não sabia o que havia de lhe acontecer, somente sabia o que o Espírito Santo lhe revela, dizendo que o esperam prisões e tribulações,  Porém, de uma coisa ele sabia, que  nenhum daqueles, dentre os quais ele passou pregando o Reino de Deus, jamais tornariam a ver o seu rosto. “Levantou-se um grande pranto entre todos, e lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijava”. (At 20.17-38).

Um abraço de despedida dói  na alma. . Lembro-me de quando minha irmã morava em outro Estado e eu ia visitá-la na férias,  quando chegava o dia da minha partida,  que dor! Eu a abraçava e partia chorando.

Maria Madalena, outras mulheres e Jesus - Um abraço de alegria
Maria Madalena e a outras mulheres foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus, porém, ao chegar ali, encontraram-no vazio, e ficaram estarrecidas. Porém,  um anjo dirigindo-se a elas lhe anuncia que Ele já havia ressurgido. Elas apressadamente saíram do sepulcro, com temor e grande alegria, e correndo foram anunciar aos discípulos o ocorrido, “de repente Jesus lhes ai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram”. (Mt 28.1-10).

Que felicidade, que alegria, que alento, poder abraçar humildemente os pés do seu Senhor! Como é bom podermos contar com o abraço de alegria, de felicidade daqueles a quem amamos.

Abracemos felizes a todos os que queremos bem no dia a dia ou em dias de celebrações. O nosso abraço demonstrará amor, afeto, amizade, carinho, etc. E Deus também se agradará desta nossa nobre atitude: “Alegrai-vos com os que se alegram.”. (Rm 12.15)

Eu e meus irmãos na fé – Um abraço de Consolo
No dia último 26 de janeiro, minha amada mãe foi “morar" no Paraíso,  com Cristo. Lembro-me que no momento da despedida e sofrendo muito, de repente, alguém me abraçou apertado,  uma amada irmã na fé, e sem dizer uma única palavra, senti o conforto, o consolo que necessitava. Aquele abraço  transmitiu amor fraternal: eu sofria, ela sofria também! Fazemos parte do  mesmo  corpo, e se um membro sofre, todos sofrem com ele: “Chorai com os que choram”. (Rm 12.15). Um abraço que ficou gravado em minha mente, ainda hoje possa sentir o calor deste abraço fraternal.

ABRACEMOS MAIS:

- O abraço de boas vindas de Labão trouxe o aconchego necessário ao sobrinho Jacó,  exilado, que estava longe de sua Pátria. (Gn 29.10.3)

- O abraço de perdão de Esaú,  amenizou o medo e a culpa de seu  irmão Jacó. (Gn 33.4)

- O abraço de despedida com lágrimas copiosas dos anciãos de Éfeso em Paulo, demonstrou que as lágrimas com que Paulo havia semeado a preciosa semente não foram em vão, eles aprenderam com o Apóstolo o que  significava: gratidão e amor. (At 20.17-38)

- O abraço de alegria das  mulheres prostradas humildemente aos pés de Jesus após a sua ressurreição  era como o bálsamo que curava a dor dos corações tristes e feridos pela separação. (Mt 28.1-10)

- O abraço de consolo que recebi de uma irmã na fé,  no dia do falecimento de minha mãe,  “sustentou as minhas lágrimas , amparou a minha tristeza e aliviou a minha dor”. Foi um abraço consolador, confortador, que trouxe paz para o meu coração angustiado.

Envolvamos em abraços àqueles a quem amamos: cônjuges,  pais, mães, filhos, irmãos, sobrinhos, tios, amigos,  irmãos na fé. Abracemos hoje, pois amanhã, talvez, não poderemos abraçá-los mais.

Alegrias, tristezas, medos, inseguranças, congratulações, perdão..., simplesmente, um "abraço" poderá transmitir tudo o que não conseguimos dizer através de muitas palavras.

Um dia, Alguém muito Especial abraçou a minh'alma!
Confortou-me,  tirou-me o temor,  trouxe-me alegria e consolou a minha alma cansada e abatida. Ele esperava-me de braços abertos, e eu “joguei-me” em seus braços acolhedores e Ele me abraçou e trouxe-me a paz, o refrigério e acalmou o meu coração.

Hoje, sinto-me segura, amparada nos braços de Cristo! Braços que  um dia foram abertos na cruz do calvário, que abraçaram a minha vida e que continua de braços abertos para abraçar a sua vida,  portanto,  aconchegue-se em seus braços, descanse filho amado amparado nos braços do Eterno Filho de Deus - Jesus Cristo!

“Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vós aliviarei” (Mt 11.28).


Um abraço fraternal, Amigos e Irmãos!

REPENSANDO O LOUVOR EVANGÉLICO


Caminha já para se tornar novamente senso comum, por graça divina, que os cânticos litúrgicos, para fazerem jus ao título, devem constituir louvores a Deus, e não mensagens motivacionais. Ponto absolutamente essencial. Entretanto, isso não é tudo. A verticalidade do louvor cristão não é arbitrária, meramente convencional ou fruto da observação legalista dum código de etiqueta espiritual. A comunidade cristã reunida louva a Deus porque não consegue se imaginar fazendo outra coisa, porque não concebe outro merecedor de atenção que não Deus e porque não sabe – nem poderia saber – como se dirigir a Deus senão louvando-O. Tendo esse fundamento em mente, poderemos repensar algumas formas contemporâneas de louvor que, ainda que verticais e bem intencionadas, não refletem até o fim o espírito do louvor cristão.

O fato é que a prática do louvor – mais ainda, do louvor comunitário – tornou-se escandalosa para o mundo moderno. Toca as raias da blasfêmia, desde um ponto de vista secular, despender atenção, pronunciar elogios, elevar ofertas que não nos tenham, em última ou primeira instância, como objeto ou parte dele. As histórias românticas, forma literária moderna por excelência, dão prova desse dogmatismo. Nelas, o amor e o ódio são sempre puros, emanados direta e completamente do sujeito, que tem o poder mágico de gerá-los (“poder mágico”: às vezes, o sentimento é gerado da flecha atirada por um cupido, sim; mas, de um lado, é preciso apelar a um ser extramundano, caricatural, irreal, que no fundo é um alter ego hiperbólico do próprio sujeito, para preservar a espontaneidade do desejo, e, de outro lado, mesmo o cupido está fadado a respeitar a autonomia do sujeito, submetendo-se ao trabalho meticuloso de mirar o seu coração); uma obra de arte é tanto mais bela quanto mais “inspirado” estava seu autor ao criá-la; o amor é tanto mais legítimo quanto mais rapidamente se manifesta, sendo o “amor à primeira vista” a expressão máxima desse sentimento.

Ora, não portarão resquícios desse egocentrismo aquelas canções evangélicas que, conquanto dirijam-se a Deus, o fazem partindo dos próprios sentimentos? Versos que narram o que se passa “no meu coração” quando penso em Deus e as minhas reações ao concentrar-me nEle, que descrevem – ou fingem descrever – o meu estado de espírito no momento do louvor, não serão maneiras de louvar a Deus sem deixar de louvar lateralmente também a mim mesmo, sem deixar de levar em conta o meu pretenso mérito em me dispor a adorá-Lo? Não serão maneiras de afirmar a crença em Deus sem renunciar à crença na minha autonomia, no meu poder mágico de gerar sentimentos, na minha virtude de desejar a Deus? Parece que sim, e ocorre que estas são crenças pagãs, pré-cristãs, de quem ainda não passou pela conversão epistemológica primordial, que é o entendimento epifânico de que não sabemos do que precisamos, de que não somos capazes de cumprir a finalidade de nossa existência e que até para adorar a Deus dependemos dEle.

Num primeiro momento, nossa postura diante de Deus, seres caídos que somos, não é de amor, mas de medo, vergonha e, portanto, aversão. Nós só podemos e só queremos amá-Lo porque Ele nos amou primeiro. Não há nada semelhante a uma inspiração interior que nos leve a adorá-Lo. Nosso único talento natural é para o pecado. Esse é o desencantamento primeiro, cuja negação coincide com o misticismo, e cujo reconhecimento fará com que o nosso louvor afaste-se inteiramente de nós mesmos e dirija-se a Deus como o Criador.

Mas há um segundo desvio importuno em que mesmo louvores verticais e bem-intencionados podem incidir. Ele talvez constitua um último e moribundo suspiro do egocentrismo, da tentação de se fazer sorrateiramente objeto do louvor. Ao passo que o primeiro desvio consiste em utilizar o louvor para descrever o que ocorre dentro de si – e assim, em última análise, louvar também a si mesmo –, o segundo consiste em fazer do louvor uma pretensiosa descrição sistemática da natureza e da operação divinas, transformando-o num manifesto teológico – que, assim, enaltece o próprio conhecimento portado pelo indivíduo.

Mesmo aquele que passou pela conversão primeira, que se deu conta da própria contingência e reconheceu em Deus a origem de tudo, pode carecer ainda de empreender o passo último da conversão, a saber, reconhecer em Deus o fim de tudo. Canções que se comprometem com posições teológicas secundárias e por demais controversas, que condicionam o louvor a Deus à veracidade da experiência particular do batismo no Espírito Santo (como é comum entre pentecostais), à veracidade da eleição incondicional (como é comum entre calvinistas) ou à veracidade do criacionismo de terra jovem (como é comum entre fundamentalistas), são certamente dispensáveis. Mencionar tais crenças por meio de canções, em contextos restritos, é certamente legítimo, mas, no culto público, transformar os objetos dessas crenças em objetos do louvor, louvar a Deus porque Ele proporciona a experiência particular do batismo no Espírito Santo (assim se crê), porque Ele elegeu incondicionalmente aqueles que haveriam de ser salvos (assim se crê) ou porque há seis mil anos Ele criou a Terra e o que nela existe, tais como os conhecemos hoje, em seis dias (assim se crê) é, no fundo, louvar o próprio conhecimento, louvar o privilégio de conhecer esses mistérios. Certamente não é esse o louvor de que “tudo o que tem fôlego” é capaz e a que “todos os povos e línguas” são impelidos.

Não é a nossa confissão de fé, o nosso corpus doutrinário, que deve ser louvado, muito menos o fato de podemos assimilá-los. A revelação de Deus como o fim de tudo é levada a cabo em Jesus Cristo. Ele, portanto, deve ser, direta ou indiretamente (mas, de preferência, diretamente), o único objeto de adoração. Cristo é fonte inesgotável de enaltecimento. Se a contemplação de Deus como o Criador confere ao louvor certo distanciamento, certo temor – que extirpa o autoelogio –, é a contemplação de Deus como o Redentor  – e não a afirmação arrogante do conhecimento teológico – que nos permitirá a entrega, o desarme, o derramamento.


A contemplação de Deus como o Criador leva a um louvor primordialmente instrumental. A contemplação de Deus em Cristo como o Redentor é que nos permite um louvor com cânticos, um louvor interativo – é no ato sacrificial de Cristo que o véu do Templo se rasga. A adoração cristã genuína será uma síntese dessas duas atitudes: contemplando a Deus como o Criador inescrutável ao mesmo tempo em que tocando-O como o Redentor encarnado. Mais do que rechaçar as canções que só falam de bênçãos e vitórias, é preciso atentar para esse duplo fundamento da adoração. Como em todos os aspectos da vida cristã, é o cristocentrismo mais radical que poderá resolver a prática comunitária do louvor.