terça-feira, 23 de outubro de 2012

BISPO, APÓSTOLO, PRESBÍTERO, REVERENDO E OUTROS 4 TÍTULOS: CONHEÇA O REAL SIGNIFICADO DAS PALAVRAS


Jesus lavando os pés dos discípulos
Vivemos uma época de muitas nomenclaturas ministeriais no meio evangélico brasileiro. Alguns líderes de diferentes denominações cristãs, mesmo atuando nas mesmas funções, usam termos e nomes diferentes como apóstolos, pastores, bispos, presbíteros e muitos outros. Infelizmente conseguimos identificar que alguns ministros usam algumas nomenclaturas bíblicas por uma busca de autoridade eclesiástica e um suposto poder espiritual, criando assim uma visível contradição quanto ao real significado do título e dos nomes na Bíblia.

O que pretendo aqui é expor de forma clara a etimologia de cada título, bem como seu uso prático na Bíblia, interpretando conforme o contexto das Escrituras e comparando-os aos dias atuais. É bem certo que você se impressionará com alguns desses significados devido ao grande equívoco e falta de harmonia bíblica criada por nossos mestres-servos.

Estaremos abordando os significados dos seguintes termos: Pastor, presbítero, bispo, apóstolo, diácono, reverendo, missionário e cooperador. Escolhi lembrar do cooperador pois existe também algo muito impressionante nesse termo, contrário em nossos dias.

Pastor, Presbítero e Bispo

No contexto do Novo Testamento, os termos pastor, presbítero e bispo, incrivelmente descrevem os mesmos servos. Trata-se de líderes atuando em igrejas locais, cuidando do rebanho de Deus, a Igreja de Cristo (Atos 20.17,28; 1ª Pedro 5.1-3; Tito 1.5-7). As várias palavras, mesmo diferentes, identificam os mesmos homens, mas é importante entender que cada palavra tem seu próprio significado. Essas variações de sentido ajudam a mostrar aspectos diferentes do trabalho dos ministros que cuidavam de uma congregação.

Para uma compreensão bem definitiva, irei apresentar os significados desses termos, dentro de uma ordem cronológica de surgimento e uso comum nos tempos bíblicos.

O Pastor – As primeiras vezes que aparecem o termo pastor na Bíblia se referem a alguém cuidando de um rebanho (Gn. 13.7; Gn. 13.8; Êx. 2.17). Mas a partir do registro do 1º livro dos Reis 22.17 em diante, o nome é usado como forma figurativa para expressar situações referentes ao cuidado: “Então disse ele: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa”.

O salmista Davi, o mais expressivo pastor de ovelhas das Escrituras também fez uma belíssima comparação: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl. 23.1ss).
Concluímos então que a figura do Pastor no Antigo Testamento não estava ligada à uma autoridade espiritual, visto que nessa esfera se destacavam sacerdotes, profetas e outros levantados pelo Senhor. O pastor de fato era alguém responsável para cuidar do rebanho, que a partir da Antiga Aliança, não eram pessoas e sim animais. Mas o termo figurativo ficou marcado, pois fora dito pelo Senhor até mesmo no Pentateuco (Nm. 27.17).

Quando chegamos ao cenário histórico do Novo Testamento vemos os líderes sendo chamados para “pastorear” o rebanho de Deus. E essa nomenclatura passou a ser usada justamente por causa das próprias palavras de Cristo, quando usando a figura de metáfora, disse de Si mesmo: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”. (Jo. 10.11-14).

Jesus usou a comparação por que sabia muito bem acerca do cuidado do pastor com as ovelhas nos campos. Ser pastor a partir daquele momento, na visão bíblica e neotestamentária, significava cuidar de vidas da mesma forma que Cristo demonstrou no cuidado e ensino no seu ministério na terra. Ele consolou pessoas, guiou, orientou, pregou, cuidou da alma ferida e alimentou multidões. Foi humilde perdoando, lavando os pés dos discípulos para mostrar exemplo, protegendo e dando a sua vida. Essas são características não apenas dos pastores, mas de qualquer pessoa que tenha a responsabilidade de cuidar do rebanho do Senhor.

O Presbítero – do grego πρεσβυτερος (presbyteros), “ancião” em algumas versões da Bíblia, descreve alguém de idade mais avançada, experiente. A palavra é usada no Novo Testamento para identificar alguns dos líderes entre os judeus. No livro de Atos e nas epístolas, os homens que pastoreavam e supervisionavam as igrejas locais foram frequentemente chamados de presbíteros (Atos 11.30; 14.23; 16.4; 20.17; 21.18; 1ª Timóteo 5.17,19; Tito 1.5; Tiago 5.14; 1ª Pedro 5.1; 2ª João 1; 3ª João 1). Necessariamente eram os cristãos mais maduros da congregação. Usavam seu conhecimento e experiência para servir como modelos e ensinar o povo de Deus.

Nas referencias que apresentamos, interligando as palavras pastor e presbíteros, temos as mesmas pessoas pelo seguinte fato: Os presbíteros foram chamados para pastorear o rebanho de Deus. Isto é, os pastores do Novo Testamento eram os mesmos líderes (presbíteros) que estavam à frente do cuidado da igreja. E mais, recebiam muito bem para isso conforme 1ª Timóteo 5.18 que diz: “Os presbíteros que administram bem a igreja são dignos de dobrados honorários, principalmente os que se dedicam ao ministério da pregação e do ensino”. (Versão King James). Observe que muitos presbíteros que eram de fato os pastore,s pregavam e ensinavam.

O Bispo – o termo vem do grego antigo επίσκοπος, (episkopos) “inspetor”, “superintendente”. Em 1ª Pedro 2.25, a referência ao Senhor indica uma função além do pastoreio, enquanto pastor. Várias outras passagens usam essa palavra para descrever uma responsabilidade maior do mesmo pastor que foi escolhido para guiar os discípulos de Cristo no seu trabalho na igreja (Filipenses 1.1; 1ª Timóteo 3.2; Tito 1.7).

Mas o texto de Atos 20 e seus versículos é claríssimo na interligação das pessoas do pastor, presbítero e bispo. No verso 17 Paulo convoca os presbíteros para uma reunião, sendo que no verso 28 ele chama os presbíteros de bispos, encojando-os ao zelo no pastoreio – “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”.

O que na verdade revela o texto é que Paulo está diante de presbíteros (pastores) que tinham a função de supervisionar (epískopos-bispos) várias igrejas. Sendo assim, pastores, bispos e presbíteros não são três ofícios diferentes, e sim três palavras que descrevem aspectos diferentes dos mesmos homens. Os bispos de hoje devem ser, de acordo com o texto, aqueles que chamamos de presidentes da igreja Sede, que deve estar na condição de uma igreja-mãe com várias congregações.

Apóstolo – esse título parece ser o mais cobiçado em nossos dias. Houve uma avalanche no surgimento de apóstolos tão grande como em nenhum outro momento na história da Igreja. Mas biblicamente e historicamente analisado há muitos equívocos quanto ao chamado e função nessa nomenclatura “apostólica”.

O termo grego ἀπόστολος, (apóstolos) significa enviado. Em se tratando de originalidade literária, o termo usado por Jesus aos escolhidos para a pregação e propagação do Evangelho, denota uma missão para os lugares mais distantes, onde ainda não chegara a mensagem de Salvação – “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19ª).

Os textos mais surpreendentes e reveladores das Escrituras, nos versículos de Atos 15, mostram presbíteros (pastores e bispos) ao lado dos apóstolos, deixando claro que nenhum líder da igreja teve a ousadia de se auto intitular apóstolo, pois sabiam que se tratava de uma nomenclatura exclusiva de Jesus aos doze enviados – “Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos presbíteros, sobre aquela questão”.(Atos 15.2). “E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e presbíteros, e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles”. (Atos 15.4). “Congregaram-se, pois, os apóstolos e os presbíteros para considerar este assunto”. (Atos 15.6). “Então pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos”. (Atos 15.22). “E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os presbíteros e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde”. (Atos 15.23).[negritos do autor].

Partindo do relato de Atos, que é o contexto primitivo, para a História da Igreja nos períodos da idade média e moderna, não encontramos nenhum registro de uso do termo apóstolo, a não ser o reconhecimento da Igreja a pessoas que estavam na condição ministerial dos apóstolos de Cristo, quanto a lugares e condições como Willian Carey, Charles Finney, George Whitefield e outros desse nível.

Os apóstolos de Cristo não levantaram novos apóstolos, mas pastores e líderes na igreja.
Mas isso não significa que não podemos usar o termo apóstolo em nossos dias. Basta seguirmos a etimologia da palavra, a função designada e, a contextualização do termo, o que nos trará o resultado do nome Missionário. Ou seja, os verdadeiros apóstolos dos nossos dias são os missionários que estão distantes, enfrentando os desafios de culturas diferentes, passando aflições até mesmo com suas famílias, para que o Evangelho salvador alcance corações longínquos. Considere isso biblicamente correto.

Reverendo – o termo vem do latim reveréndus indicando alguém que deve ser reverenciado. É um tratamento dado as autoridades eclesiásticas de algumas igrejas cristãs históricas.

Já houve muitos debates acerca desse título, pois alguns o consideram um termo equivalente à reverência dada à Deus, o que é puro engano, pois a real etimologia da palavra “reverência” em se tratando da raiz do “reverendo” é “respeito profundo”, “acatamento”, “consideração”. Não se pode confundir reverência com adoração, pois são palavras de significados bem distantes. Temos reverência no culto, mas o culto não é Deus, é para Deus. Temos reverência diante de um tribunal, mas o tribunal não é Deus. Com isso fica claro que a reverência é algo natural tanto para as questões espirituais como humanas.

Mas a grande pergunta é: Pode o ministro ser chamado de Reverendo?

A observância no título de reverendo aplicado aos líderes da igreja, numa visão de respeito e consideração, pode ser melhor explicado tendo com exemplo a interpretação real do termo bíblico “santo” do hebraico Kadosh, utilizado para mostrar um atributo comunicável de Deus.
Kadosh significa também algo sagrado, ou um indivíduo que foi consagrado perante outras pessoas. Existem diversas variações para Kadosh: Kadesh significando sagrado, Kidush que significa santificação, ou consagração, as palavras Yom kadosh significando dia Santo e, Kadish que significa santificação. Observe que todas as palavras estão relacionadas à Deus, mas mesmo assim, no Novo Testamento, somos chamados também de “santos”, principalmente nas epístolas, e isso não significa que nos igualamos à Deus, pelo contrário, santos porque somos separados para Ele.

Dessa forma, a palavra Reverendo não indica que alguém deva ser reverenciado ao nível de Deus, mas ser respeitado e considerado na função chamada por Deus.

Diácono – a palavra no grego διάκονος, (diákonos) é “ministro”, “servo”, “ajudante” e denota uma categoria de obreiro assistencial, cerimonial, preservador, orientador, servidor etc.
Mas se engana quem pensa que a instituição do diaconato está definida em Atos capítulo 6. O vocábulo diakonein nesse texto não é técnico, tratando apenas de “servidores” incumbidos de distribuir os fundos às viúvas necessitadas. Se fossemos partir dessa aplicação do texto concluiríamos que a função dos diáconos seria dentro desse limite, o cuidado com as viúvas.
Os textos que revelam as funções ministeriais dos diáconos estão nas epístolas de Paulo aos Filipenses e a Timóteo: “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (Filipenses 1.1). Atente que logo no verso 1 Paulo revela o contexto ministerial do diaconato, que o coloca na posição de oficial da igreja ao lado do bispo. O texto junto ao contexto histórico revela que os diáconos auxiliavam os pastores em suas funções, sendo importante lembrar que, quando um ministro tinha a necessidade de se ausentar da liderança e pastoreio da congregação, quem assumia a direção era justamente o diácono, que nessa hora era reconhecido pela mesma capacidade.

A carta à Timóteo é mais reveladora ainda, quando Paulo declara e orienta: “Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos”.(1ª Timóteo 3.8) “Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos”(Vs.10), “O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa”.(Vs.12).

Usando o texto mais uma vez dentro de seu contexto fiel, podemos resumir que as orientações dadas aos diáconos veem logo após a dos bispos (presbíteros, pastores), concluindo que o diácono tem o mesmo nível de responsabilidade desses, sendo o verdadeiro auxiliar do ministro.

O diaconato é um ministério de verdadeira excelência!

O Cooperador – Você já se perguntou alguma vez por que o apóstolo Paulo ao final de algumas epístolas faz menção dos cooperadores? Pois bem, pasme: os cooperadores eram os cristãos mais capacitados (ministerialmente) para o auxílio em todas as áreas da igreja!
Era comum nos tempos bíblicos a menção de pessoas importantes ao final de uma epístola ou registro relevante. O primeiro exemplo vem da carta aos Romanos, onde o apóstolo além de apresentar uma extensa lista de cooperadores, faz questão de frisar que, ele não escreveu a carta, mas apenas ditou para Tércio, o grande cooperador (Rm. 16.22).

Cooperadores ilustres são mencionados com grande destaque: “Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Filemom 1.24). “Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus” (Romanos 16.3). “As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa”. (1ª Coríntios 16.19).

De fato, os cooperadores que as epístolas mencionam possuíam capacidade maior que muitos dos irmãos, pois eles ajudavam na organização do culto, na abertura de novos trabalhos, na comunicação, na pregação, evangelização, nas viagens, assistência aos obreiros em geral. Eram homens e mulheres com visão muito ampla e espírito de trabalho e cooperação além das expectativas.

O tratamento que vemos hoje com os atuais cooperadores (principalmente nas igrejas pentecostais) está muito fora da realidade bíblica. Precisamos valorizar e reconhecer os trabalhos dos verdadeiros cooperadores.

Conclusão – diante da investigação bíblica aqui exposta, respeitando os princípios e regras da hermenêutica, numa exegese séria e fiel, devemos considerar que alguns líderes que usam nomenclaturas ministeriais não condizentes com a observância das Sagradas Escrituras, desrespeitam os termos estabelecidos por Deus e, ignoram as designações de ordem eclesiais estruturadas pela igreja neotestamentária.

O que nos parece de verdade é uma inversão de significados e termos mal entendidos, onde muitos se esquecem do verdadeiro sentido do chamado para liderar vidas.

O ministro ideal é aquele que, primeiramente, é considerado por seus liderados como o maior dos servos. Os seguidores, de bom grado, concedem, a esses líderes a autoridade para liderá-los, porque vêem nele alguém altruísta e voltado para os demais. Como ministro de Deus, sua tarefa é levar as pessoas a buscarem uma transformação e não apenas formular e impor leis, por meio de um suposto poder espiritual gerado por títulos. Ele realiza uma mudança de cada vez.

O líder percebe que as pessoas são seu único e maior bem na igreja, e executa suas tarefas fortalecido pelo Espírito Santo. Usa o poder do amor para transmitir novos valores.
Desejamos como ovelhas, muito mais líderes guiados pelo Espírito, do que homens movidos por títulos que em muitos casos exalta o próprio ego.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

QUERO CONFESSAR O MEU PECADO


A cena certamente já aconteceu com você. Chove. Você está todo arrumado, talvez com sua melhor roupa, saindo atrasado de casa para um compromisso importante. Você toma todo o cuidado do mundo para não deixar sequer um pinguinho de água cair sobre a linda roupa que está usando. Aí acontece a tragédia: um carro passa a toda velocidade sobre uma poça imunda e joga toda aquela sujeira e lama na sua calça, na sua camisa, no seu mais lindo vestido, às vezes até no seu rosto e nos seus braços. Agora pense em como se sentiu. Depois pense em como teve de carregar aquela sujeirada seca e fedorenta agarrada em você por todo o dia até chegar em casa, no trabalho ou na escola e poder no mínimo passar um pano molhado nas partes que ficaram imundas. Mas a verdade é que o alívio total só vem quando entra embaixo do chuveiro e se limpa por completo. Com nossa vida espiritual é mais ou menos assim. E essa lama se chama pecado.

Este post é o menos criativo que já escrevi. Mas certamente é o mais importante. Pois ele se aplica a 7 bilhões de pessoas no planeta, uma vez que todas elas pecaram, pecam e destituídas estão da glória de Deus. Eu disse…todas. Eu, inclusive. Você também. Pois todos somos carentes de Jesus e do resgate de suas almas do inferno mediante a graça de Deus.

Mas, mesmo aquelas que são salvas, lavadas no sangue do Cordeiro, pecam. Pecado, essa palavra tão fora de moda e que nada mais significa do que “desobediência a Deus”. Ou seja: você é eleito por Deus para receber o chamado da graça, recebe Cristo pela fé que o Senhor lhe deu, passa a chamar a si mesmo de “cristão”, vive em novidade de vida, nasce de novo, as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo, sua velha vida é abandonada. Ou seja: nova criatura é!!! Mas… mesmo tendo passado da morte para a vida, um dia você peca. E no dia seguinte…de novo! E de novo! E de novo! E de novo! Edenovoedenovoedenovoedenovo! Que coisa! Para nossa surpresa descobrimos que a conversão não nos transformou em anjos, que continuamos tendo impulsos carnais, sentimos ódio, ganância, rancor, desejamos o mal ao próximo… continuamos humanos. É como sempre digo: “Todo homem de Deus é de Deus mas não deixou de ser homem”.

Por isso posso afirmar sem nenhuma sombra de dúvida: só hoje você já cometeu diversos pecados. Sei disso porque eu também cometi os meus. Muitos. E tanto eu quanto você fomos alcançados pela graça salvífica de Cristo.

Meu Jesus do Céu… pequei. Desobedeci a Deus. Traí a confiança d’Aquele que me salvou. Ele me deu a vida eterna e fui incapaz de obedecê-lo. Pisei na bola. E agora? Pronto, agora você, que se via alvo mais que a neve, vê as alvas roupas da sua alma salpicadas da imundície do pecado. O carro da carne, do mundo e do diabo passou na poça e lançou a imundícia sobre você, que abraçou a lama com gosto. Se duvidar ainda lambeu os beiços e os dedos.

É, meu irmão, minha irmã. A verdade dura é que eu e você recebemos roupas alvas, mais que a neve, no instante em que Jesus disse “vem!”… mas continuamos a tê-la diariamente suja pela lama do pecado.

Ok, ok, eu sei: o crente peca mas não vive no pecado, todos nós sabemos disso. Mas se você fizer uma análise da sua vida espiritual, verá que das duas uma: ou continua pecando diariamente ou mente dizendo que não peca – o que lhe torna um pecador. Então não tem escapatória: você é um ser, mesmo salvo, desobediente a Aquele que lhe salvou. Tornou-se filho, mas um filho malcriado. Eu sou assim. Você também. Ouça o apóstolo João: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 Jo 1.8,10 NVI). E João era cristão ou não?

Pequei. E agora?

Primeiro, tenho que admitir que minha natureza é pecaminosa – mesmo já tendo você sido purificado pela justificação em Cristo – e ela te pega pela mão e te arrasta para o charco de lodo todo dia. Ou seja: admita que peca. Eu admito: eu peco. É como o tratamento dos alcoólicos anônimos: o primeiro passo para se livrar do vício é reconhecer que você é alcoólatra. Sem isso jamais poderá ir ao segundo passo. E, no caso do cristão que pecou, primeiro há de reconhecer que, mesmo tendo sido salvo, continua precisando se santificar diariamente, num moto contínuo de pecado-arrependimento-absolvição-pecado-arrependimento-absolvição-pecado-arrependimento-absolvição-pecado-arrependimento-absolvição…

E qual é o segundo passo? Lance seus pecados sobre a Cruz. O que exatamente isso significa? Jesus não veio à terra a passeio. Ele veio morrer e ressuscitar para, assim, estraçalhar nosso pecado. Quando os cravos furaram suas mãos não foi sua carne que se rasgou: foram nossos pecados que o Cordeiro picotou e jogou no lixo. Então reconhecemos que pecamos, não temos como limpar nossas roupas por mérito próprio e, assim, o sangue que foi derramado na cruz é aspergido sobre nossas roupas e as alveja novamente. Pronto. Estamos limpos. Pelo menos até o próximo pecado. Que tenha a certeza absoluta, caro ser humano pecaminoso, que vai acontecer já já.
A sua natureza pecaminosa ou a graça de Deus jamais podem ser desculpas para pecar numa boa. Não. O pecado é um inimigo e tem que ser combatido até a morte. “Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam” (Tg 1.12 NVI). “Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida” (Ap 2.10 NVI).

O problema é que o pecado é um inimigo sagaz e, se dependesse de nós e de nossas próprias forças, nos venceria todos os dias. Eu sou vencido por ele. Você é vencido por ele. Por isso caminhar com Jesus é tão importante. “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2.1 NVI). Taí a resposta.

Pequei. E agora? A resposta vem da união entre palavras do apóstolo João e de Salomão, inspirados pelo Santo Espírito consolador e conselheiro, com palavras do próprio Cordeiro de Deus que veio para tirar os pecados do mundo: João diz em 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. Assim, o primeiro passo é a confissão (ou seja, o reconhecimento do erro e a exposição direta a Deus de que o fez). O segundo passo vem nas palavras que o rei, sábio e profeta Salomão registrou em seu livro de Provérbios: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.” Essa é a segunda etapa: cessar o pecado. Por fim o terceiro passo: santificação. É o que Jesus diz à mulher adúltera: “Agora vá e abandone sua vida de pecado” (João 8.11b), ou, em outras palavras, assuma uma nova postura: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14 NVI).

Você é cristão e ainda assim pecou? Eis aqui o que a Bíblia te diz para fazer:
1. Confesse.
2. Abandone.
3. Santifique-se.

Pecou? Deixe Jesus te lavar. Quando o pecado pesar de tal maneira que você não suportar mais e o Espirito Santo te tocar profundamente, arrependa-se e abandone. Já passei por isso. Creio que você também. E tome cuidado para não se sujar de novo. Se sujou? Deixe Jesus te lavar de novo. E, se fizer disso a sua prática de vida, pode o carro que for jogar lama nas tuas roupas que, na hora em que você chegar, finalmente, ao seu destino, ouvirá do Pai: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu Senhor!”. E aí nunca mais suas roupas se sujarão e você viverá na magnífica pureza do Cordeiro de alvas lãs por toda a eternidade.

Eu peco, meu irmão, minha irmã. Confesso meu pecado. Erro. Creio que você também. Não sou hipócrita de dizer que não peco. Mas tento. Vivo tentando. Sei que você também. Ajudemo-nos nisso. Ergamos uns aos outros. Se você leva alguém ao pecado, pare. Peça ajuda se você não consegue parar de pecar. Creio que é o que devemos fazer. Tentar, tentar e tentar. Dia após dia. Pecou? Sua carne tem inclinações malignas? Busque a Deus. Peça socorro a Ele. Ele pode. Todos nós que pecamos não queremos pecar. Mas pecamos. É dificil. É duro. Pecamos de novo. E de novo. E um dia vem o Espírito e nos chama de novo à responsabilidade. E aí tentamos parar com o mal. Fazemos o que podemos para fugir do pecado. Eu sou assim. Você também. Por isso, todos nós precisamos da graça de Deus. Ela é a única que não atira a primeira pedra, que não devolve mal com mal. Graça. Essa é a resposta. É ela que lança nossos pecados no mar do esquecimento, nos levanta quando caímos e nos faz prosseguir. Deus, concede-nos de Tua graça, pois sem ela…

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

ANTES DE QUALQUER COISA SOU UM SER HUMANO


Célebre pintura que Michelangelo fez no teto da Capela Sistina
Compreender a dinâmica entre o humano e o espiritual, o temporal e o atemporal é certamente essencial para a caminhada cristã. Cada cristão necessita diariamente reconhecer e conhecer as essencialidades da sua própria humanidade, antes mesmo de perscrutar os mistérios da espiritualidade. Deste modo, é saudável para qualquer discípulo de Jesus Cristo ter a consciência de que, antes de ser um crente, ele é gente, antes de ser “homem de Deus”, ele é homem, e antes de ser espiritual é um ser humano.

Eventualmente, o cristão pode desenvolver inconscientemente a cultura do “super crente”, onde o entendimento é de uma vida extraordinária que elimina o fracasso, o medo, e as frustrações da vida, porém, esta percepção equivocada perdurará até o momento, em que, o individuo fracassar ou for novamente assediado pelo medo, redescobrindo que continua sendo um ser humano, relativo, frágil e carente da graça e do amor divino.

Infelizmente, a teologia e a missão de alguns redutos cristãos que objetiva transformar seres humanos em semi-deuses, ou numa espécie da "humanjos" (homens anjos), provoca estragos indizíveis na mente de pessoas sinceras, mas equivocadas com relação a consciência do significado do verdadeiro evangelho de Cristo Jesus.

É valido ressaltar ainda que, a maioria dos cristãos que em algum momento creu na falácia da supremacia espiritual ( que pretende nos tornar em seres angelicais), normalmente acabam possuindo um senso de preconceito, e juízo tão elevado como sua própria loucura espiritual disfarçada de falsa piedade, podendo vir fatalmente ser vitimado pela verdade eterna que declara: “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” (Mateus 7.2).

Meu objetivo não é justificar o pecado característico de nossa natureza pecaminosa, nem tão pouco engrossar as fileiras do liberalismo teológico em ascensão neste momento, mas antes, desejo celebrar a beleza do paradoxo da nossa humanidade concedida pelo próprio Deus:
- Que nos formou do pó da terra, ao mesmo tempo em que, nos fez alma vivente.

- Que colocou o tesouro do conhecimento da gloria divina em vasos de barro para que a excelência do poder seja Dele e não de nós. (2 Coríntios 4.7)

- Que escolheu homens limitados, simples, e rejeitados para evangelizar o mundo com o evangelho da paz.

- Que conhece a nossa estrutura, e lembra-se de que somos pós, mas mesmo assim, nos faz dominar sobre as obras das tuas mãos. (Salmo 8.5)

- Que declara um adultero e homicida como “o homem segundo o seu coração”.

- Que nos faz almejar pelas coisas do alto, mesmo sabendo que o pecado é intrínseco a nossa existência, levando o apóstolo a clamar: “Porque o bem que quero fazer não faço, mas o mal que não quero esse faço. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.19,24)

Em resumo, a beleza do ser humano, não está na possível perfeição dos anjos, ou na absoluta santidade divina, mas antes, nas contradições que o habitam, e fazem o próprio Deus declarar – “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Levando assim, o apóstolo Paulo a afirmar - De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” (2 Coríntios 12:9).

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O LOBO QUE QUERIA SER OVELHA


No alvorecer de um dia, no vale chamado esperança, um lobo observava um rebanho de ovelhas, que descansavam sobre a relva umedecida. Cansado dos assaltos noturnos e das barbáries do bando, o lobo descobriu que o rebanho desfrutava de uma vida abundante, com noites bem dormidas, boa alimentação e cuidados especiais.

A descoberta gerou uma dinâmica de motivação e esperança na alma exausta do velho lobo. Mas como poderia ser uma ovelha? Como adquirir as vísceras existenciais de uma ovelha? A solução imediata foi se vestir de ovelha. Pensava que no convívio diário com o rebanho se tornaria uma ovelha autêntica.

No primeiro dia, descobriu que a vida prática de uma ovelha era apaixonante. Fez amizades incríveis, conquistou o carisma do rebanho, inclusive do pastor. Alegrava-se quando, no alvorecer do dia, o pastor despertava e conduzia o rebanho para um breve passeio nas colinas.

Era comum, após a refeição diária, o rebanho permanecer às margens do rio de águas cristalinas que cortava o vale. Deitadas na relva, as ovelhas admiravam o esplendor do horizonte colorido. Ficavam anestesiadas diante do céu azul que desaguava no horizonte. A brisa suave que soprava do sul coadunava com o cochichai das águas, que numa sinfonia angelical ninava o rebanho no sono da inocência.

Tudo transcorria perfeitamente bem quando o inusitado aconteceu! Sem pedir licença, a natureza adormecida do lobo vestido de ovelha despertou-se.

Em uma noite fria de inverno, enquanto o rebanho dormia, não suportando mais a tortura de sua natureza, retirou a roupagem de ovelha e caiu no mundo dos lobos. Naquela noite viveu, correu e extravasou como um autêntico lobo. Estava exausto, quando a lembrança do aprisco alvoreceu com o sol. Confuso, o lobo começou a correr enquanto colocava a roupagem de ovelha.

Entrou no aprisco sorrateiramente, ocupando seu espaço. Em seguida o pastor com a mesma leveza de sempre começou a despertar as ovelhas. Pensou consigo, “esta foi por pouco!”

Durante o dia militou bravamente contra a fúria de sua natureza que robustecia a cada instante. Quando a escuridão noturna vestiu o céu, novamente não suportou e outra vez caiu no mundo dos lobos.

Caminhava cansado em um vale, quando o sol novamente alvoreceu no horizonte. Instintivamente, começou correr em direção ao redil. Entrou e novamente acomodou-se em seu lugar. O enigmático fato repetiu-se durante uma semana.

Em uma dessas noites, enquanto voltava para o redil, seu coração dilatou. Não suportou mais a realidade repugnante, e desabou no chão umedecido. Uma oração singela e espontânea brotou do seu coração: “Deus! Confesso que sou um lobo, mas desejo ser uma ovelha. Imploro que me transforme em uma verdadeira ovelha!”.

Sabe o que aconteceu? Deus ouviu a oração daquele lobo, realizando o que nenhuma religião ou técnica de aprimoramento moral pode realizar, transformou aquele lobo em uma autêntica ovelha, com isto, o prazer de alimentar-se nos campos verdejantes, de repousar taciturno em uma noite fria e obedecer prontamente à voz do pastor brotou em suas entranhas.

Deus conhece a essência de cada homem, mas espera sua resposta positiva ao seu convite de amor. Quando o homem diz sim a Deus, o lampejo do milagre rasga o horizonte.

Infelizmente a proposta em muitos redutos cristãos é a pregação de um evangelho adaptador. O resultado é o aumento de pessoas que ainda não foram transformadas, mas estão apenas motivadas pelo processo da religiosidade, sendo que, uma das máximas do genuíno Evangelho é – “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Jo 8.36

QUEM DERA QUE FÔSSEMOS SANTOS!


“Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos”.
Salmos 119.5 [ARF]

“Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”
Romanos 7. 22-24 [AC]

Nós falhamos. Aliás, nós vivemos a falhar. O pecado, infelizmente, sempre está em nossa porta. Muitas vezes, o nosso desejo é ser diferente, mas simplesmente não conseguimos, "pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo", como disse o apóstolo Paulo [Romanos 7.19]. Acordamos de um pecado dizendo: “Agora acabou, tudo irá mudar a partir de hoje”. Mas o amanhã se torna ontem.

Se desejamos Deus, sabemos ao mesmo tempo que não conseguimos achar forças em nós para encontrá-lo. Dependemos que Ele nos encontre, pois simplesmente precisamos dEle. Somos dependentes de Sua inteira misericórdia. O grande problema é que buscamos a solução dos nossos pecados em nossa própria força e acreditamos que temos virtudes para derrotá-lo. A fé em si é vã como o vazio de um som em deserto. No dia em que nós nos entregarmos à graça de Deus para viver em santidade poderemos vencer o pecado como quem ganhar com um exército poderoso.

Sabemos que há um padrão elevado, ou seja, há um viver conforme os estatutos de Deus. Igualmente sabemos que estamos distantes dessa beleza. Desejamos que o Senhor nos transforme, pois a transformação não pode ser gerada em nossa própria capacidade. Só que esquecemos de clamar pela transformação efetuada por Ele. A nossa capacidade é simplesmente incapaz. Portanto, que a nossa oração ao Senhor seja: " Ó Deus, cria em mim um coração puro e dá-me uma vontade nova e firme!" [Salmos 51.10 NTLH]

O nosso desejo é o pecado. Não há mérito “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” [Romanos 3.23]. O nosso prazer é a satisfação da carne. Adoramos elogios e buscamos glória como quem corre atrás de uma mãe amorosa. Somos constantemente lembrados pelo nosso ego sobre a "especialidade" do nosso ser e que o “centro do universo” está em torno do nosso "eu". Assim, ao mesmo tempo, somos “vítimas” daqueles que julgamos “incapazes” de compreenderem a gritante vaidade que habita em nós. E pior, muitas vezes, a nossa vaidade veste a capa da autopiedade e deseja ocultamente que os outros “sintam pena” de nós.

Apesar disso, rejeitamos com veemência a vaidade do "outro". Ora, o orgulho alheio é insuportável e fácil de ser identificado. Mas o “meu” próprio pecado se esconde como criança debaixo da cama.

Como somos arrogantes quando buscamos santidade em nós mesmos! Estamos dizendo que temos forças para derrotar a carne, o mundo e o diabo. Agimos como um soldado suicida que, imbuído de uma honra irresponsável e irracional, sai à guerra sem a ordem e o apoio do comandante. Assim, pensamos que o nosso “ato de coragem” nos salvará, mas simplesmente somos tragados com a nossa vaidade. Morremos acreditando em nós mesmos. Nada mais enganoso do que a idolatria do eu. Esse ídolo é tão fraco, mas igualmente cego para enxergar os seus próprios limites.

Quem dera! Assim exclama o salmista. Sim, quem dera que fôssemos santos. Quem dera que fôssemos a imitação de Cristo. Ao mesmo tempo podemos basear a nossa fé na graça divina para providenciar a santidade aos nossos corações.

Oração

Senhor, faça-me santo. Eu simplesmente não consigo vencer o meu próprio pecado e, muito menos, alcançar pelos meus caminhos os seus elevados mandamentos. Senhor, faça-me santo. Faça-me um seguidor dos teus mandamentos. Faça-me como quem segue o Senhor com um amor que pulsa paixão. Senhor, dai-me a graça da santidade. Reconheço que sou incapaz de viver em pureza. Livra-me da autopiedade. Livra-me da arrogância e da vaidade. Faça-me filho Teu. Encha o meu coração de santidade e prazer em Ti. Senhor, seja tão grande no meu coração para que o “meu eu” seja sufocado.

domingo, 7 de outubro de 2012

ESCATOLOGIA - VISÃO GERAL

Antes de tratar de aspectos específicos dos eventos dos últimos dias, seria bom olhar a seqüência global como um todo. Por sua vez, antes desta visão geral, faz-se mister definir alguns termos básicos.

 
1.O arrebatamento da igreja é a assunção dos redimidos deste mundo, por Cristo, imediatamente antes do começo do período de tribulação.

 
2.O tribunal de Cristo é o lugar onde Cristo julgará os cristãos, imediatamente após o arrebatamento, com base na sua conduta como crentes, com o resultado que alguns receberão galardões e outros sentirão a perda de prêmios por omissão.

 
3.As “bodas do Cordeiro”é um termo usado no livro de Apocalipse (19:7-10) para descrever o evento que ocorrerá entre o arrebatamento e a revelação de Cristo em poder, quando a igreja será unida eternamente com Cristo como a Sua noiva.

 
4.A grande tribulação é o período de sete anos, começando após o arrebatamento, quando o mundo entra em juízo por causa dos seus pecados passados. Nesta época a nação de Israel restaurada passa pelo fogo de sofrimento para levar os judeus a uma atitude receptiva para com Cristo como seu Messias-Salvador. Devido a última metade deste período ser mais severa no grau de sofrimento experimentado, o termo é mais usado para se referir somente aos últimos três anos e meio do total de sete.

 
5.A revelação de Cristo é um termo usado para designar a volta de Cristo à terra no fim da grande tribulação. Trata-se do retorno de Cristo com os santos da igreja, os arrebatados anteriormente, para resgatar Israel que está sendo oprimido pelo Anticristo.

 
6.A batalha de Armagedom, designação tirada de Apocalipse 16:16, nomeia a batalha em Israel que traz ao clímax a grande tribulação à medida que o Anticristo vence os judeus para tomar a pátria deles para si. Uma parte da luta, provavelmente o começo, acontece no cenário histórico do Megido, ao norte de Jerusalém, mas passagens descritivas mostram que findará em Jerusalém.

 
7.O juízo dos gentios é a ocasião de julgamento imediatamente após a vitória de Cristo ao resgatar Israel do Anticristo, quando uma decisão será tomada sobre quais os gentios que terão ou não entrada no milênio. O critério de julgamento será a justiça pessoal como crentes em Cristo, evidenciada pela atitude individual demonstrada durante a grande tribulação para com os "irmãos" de Cristo, os judeus.

 
8.O milênio é um período de mil anos, começando logo após o julgamento dos gentios, quando Cristo reinará em justiça perfeita e paz contínua sobre a nação de Israel em particular, e sobre o mundo inteiro em geral, com os santos ressurretos, agora glorificados, na posição de auxiliares neste reinado.

 
9.O grande trono branco segue ao milênio, é a ocasião em que os descrentes de todas as épocas receberão sua sentença de castigo eterno, no lago de fogo, pelos seus pecados.

 
10.A perspectiva pré-milenista das coisas vindouras crê na existência de um milênio terrestre, literal, como definido, e acredita que o arrebatamento da igreja precede-o.

 
11.A perspectiva pós-milenista crê na existência de um milênio literal, resultando da pregação do Evangelho e a salvação de um grande número de pessoas, com a volta de Cristo à terra no fim.

 
12.A perspectiva amilenista nega a existência de um milênio literal e vê as promessas milenistas como sendo cumpridas num reinado espiritual; uns defensores dizem que este é o reinado de Cristo sobre Sua igreja aqui na terra, e outros que é o reino de Deus sobre os santos nos céus.

 
13.A perspectiva pré-tribulacionista assegura que o arrebatamento da igreja será não somente pré-milenar mas também pré-tribulacional; isto é, ocorrerá antes do começo da grande tribulação, significando que a igreja não passará por este período de grande sofrimento.

 
14.A perspectiva pós-tribulacionista concorda com a visão pré-tribulacionista que o arrebatamento será antes do milênio, mas assegura que ocorrerá após a grande tribulação, significando que a igreja estará na terra durante este período de sete anos.

 
15.A perspectiva mid-tribulacionista também concorda que o arrebatamento será pré-milenar, porém assegura que ocorrerá na metade da grande tribulação, significando que a igreja não experimentará a última metade deste período quando o sofrimento será mais severo.

PROFETAS

Os profetas hebreus eram porta-vozes de Deus. Escreveram os livros históricos e os proféticos no AT. Na Bíblia hebraica, os livros proféticos de história são seguidos pelos proféticos de predição. As duas cate­gorias de livros proféticos formam uma uni­dade no meio das Escrituras hebraicas sob o termo comum “profetas” (hb.: mbiyim).

 
O Ofício Profético
 
O termo hebraico nabhiy define em si o profeta como um porta-voz de Deus. En­quanto pregava para a própria geração, o profeta também predizia eventos no futuro. O aspecto duplo do ministério do profeta incluía declarar a mensagem de Deus e predizer as ações de Deus. Assim, o profeta também era chamado de “vidente” (hb.: roeh), porque podia ver eventos antes de estes acontecerem.
A Bíblia retrata o profeta como alguém que era aceito nas câmaras do conselho divino, onde Deus “revela o seu segredo” (Am 3.7). O texto hebraico de 1 Samuel 9.15 retrata a Deus “revelando aos ouvidos” do profeta. Pelo processo da inspiração di­vina, Deus revelava o que estava oculto (2 Sm 7.27), de forma que o profeta percebia o que o Senhor dissera (Jr 23.18). Esta co­munhão com Deus era essencial para que a verdade de Deus fosse revelada pelo pro­cesso de inspiração profética. A palavra do Senhor era comunicada ao profeta e me­diada ao povo pelo Espírito Santo — com uma convicção poderosa e precisão exata.
O quadro total da profecia, então, é que ela abrange tanto o anúncio das men­sagens de Deus quanto a predição das ações divinas. Através do Espírito Santo, Deus capacitava o profeta a falar por Ele. Isaías, por exemplo, era um homem que falava dos seus próprios dias quando levava a direção de Deus aos reis de Judá, e que também via à frente, no futuro, os planos de Deus para o seu povo.

 
O Ministério Profético

 
O termo hebraico nabiy identifica o pro­feta como um pregador ou proclamador da palavra de Deus, assim como o termo grego prophetes. Os profetas bíblicos eram tanto pregadores da verdade como prognosticado- res do futuro. A profecia tem as suas raízes na história, mas também se estende pelo futuro. Em outras palavras, a natureza da profecia preditiva surge a partir do contexto histórico do profeta, quando a revelação de Deus lhe mostra o futuro bem como o pre­sente. Assim, os profetas falam tanto à sua própria geração quanto às gerações futuras como pregadores e prognosticadores.

 
Ellison (p. 14) observa que a mensagem do profeta “não é derivada nem da observa­ção nem do pensamento intelectual, mas da admissão à câmara do conselho de Deus, de conhecer a Deus e de falar com Ele”. O profeta é admitido na câmara do conselho de Deus, onde Deus “revela” os seus segre­dos e lhe mostra o futuro.

 
A Mensagem Profética

 
Os profetas do AT previram a vinda de um Messias divino com características iguais às de Deus. O propósito da profecia messiânica era identificar claramente o Messias, que cumpriria os eventos especí­ficos preditos sobre Ele pelos profetas de Deus. Estas predições eram tão cuidadosas e específicas que não poderia haver ne­nhuma dúvida quanto as suas designações pretendidas. A melhor diretriz para deter­minar quais profecias se referem ao Messias predito é o NT, que claramente aplica estas predições a Jesus de Nazaré.

 
O NT usa a profecia preditiva e o seu cumprimento para provar a credibilidade sobrenatural do cristianismo. Os profetas claramente predisseram a vinda de um ser divino que nasceria de uma virgem (Is 7.14) em Belém (Mq 5.2), da descendência de Abraão (Gn 22.18) e de Davi (2 Sm 7.16). Trata-se exclusivamente de Jesus Cristo. Só Ele cumpre de forma nítida mais de cem profecias bíblicas específicas sobre a vinda do Messias. Jesus mesmo disse: “Convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” (Lc 24-44). O Senhor Jesus submeteu-se voluntariamente ao curso que estas profecias haviam prescrito para Ele, e sabia que os detalhes da sua vida e morte tinham de ocorrer, porque estavam escritos em sua Palavra. Ele viu a totalidade da pro­fecia culminando em si mesmo.

 
O NT também oferece a melhor di- retriz para determinar se um evento está cumprido ou não. Ele nos diz onde os profetas falaram de Cristo. O NT indica claramente que as referências messiânicas do AT apontam para uma única pessoa — Jesus de Nazaré. “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.” (At 10.43)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O DEUS QUE SE REVELA TAMBÉM NOS FRACASSOS


- Dê um brado de vitória, irmão!
 
E em coro todos respondem:
 
- Oh! Glóooooooooooooooria!
 
Quando um exército vencia uma batalha nos campos de guerra da era clássica, a soldadesca costumava reunir-se em volta do comandante e a plenos pulmões bradar (gritar) uma palavra de ordem que simbolizaria a sua vitória.
 
Esta cena pode ser vista em quase todo ramo da fé cristã hoje em dia. O que me entristece não é a fenomenologia do grito como manifestação de poder, ou evidência de uma fé operosa. Isso faz parte da alma mística do nosso sangue latino. O que me entristece é a mania de “vitória visível e imediata” que inundou nossa teologia moderna e seus conceitos nada ortodoxos e muito menos bíblicos.
 
Não queremos aceitar que um cristão genuíno venha experimentar ondas de fracassos e pífios resultados, isto é, quando se olha através do prisma natural-humano. Temos nos concentrados nas conquistas e usado o sucesso, como medida da fé. Esse perigoso conceito religioso-cristão-contemporâneo pode provocar afundamentos angustiantes e crises depressivas para a grande multidão que lotam as Igrejas na expectativa que uma loteria divina irá lhes contemplar o grande prêmio. O que na maioria das vezes não acontece, provocando uma profunda sensação de que Deus não atenta para o desespero das pessoas.
 
Estamos obcecados pelas conquistas, inebriados com as perspectivas mirabolantes das “vitórias” e que vem acompanhada de “testemunhos” impressionante. Estamos hipnotizados com a ideia fixa de uma confissão positiva que vai, em fim, nos catapultar para a glória e o reconhecimento ainda neste mundo, e que não ultrapassa este mundo. Estamos tão ocupados com os nossos especulativos triunfos que não nos apercebemos de um detalhe perturbador da narrativa bíblica: o fracasso!
 
O fracasso está presente em todas as etapas do texto bíblico contrariando e desnorteando a nossa lógica do triunfo e do sucesso.
 
E graças a Deus pelos fracassos!
 
Sim.
 
Graças a Deus por ele, porque é nele, no fracasso, que as lições foram realmente proveitosas e marcantes. O nosso Criador usou aquilo que para o mundo é uma vergonha, como matéria prima para fazer concretar as vitórias reais e que permanecem eternamente. Psiu!
 
É! Você que está lendo este artigo.
 
Levante a cabeça e olhe o horizonte da tua existência não com o olhar do derrotismo humano, mas sob a ótica de Deus, através da sua Palavra compreenderás que tuas quedas e derrotas não foram para te destruir, mas, para te ensinar o que de fato significa vencer.
 
Foi no meio de um turbilhão de desgraças, dor e perdas irreparáveis que Jó teve a exata compreensão de quem era Deus: “agora, os meus olhos te vêem” (Jó 42.5).
 
Abraão teve de largar sua parentela, seu porto seguro financeiro-moral e se lançar numa peregrinação sem fim, onde a tenda estava sempre pronta a ser desfeita e a honra vencida pelo medo. Seu coração em sobressalto pelos severos testes de fidelidade ao Senhor, porém, firmado na esperança das promessas reais e verdadeiras seriam cumpridas, porque sabia quem lhe havia prometido. E foi exatamente por isso cognominado “pai dos que crêem” (Gálatas 3.9).
 
Foi no desmascarar do seu fracasso moral e ético que o rei Davi pode verdadeiramente ter uma experiência de conversão, e expressá-la numa composição profundamente poética de quebrantamento e busca ao Senhor:
 
“Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos… Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim, um espírito inquebrantável” (Salmos 51.4,10).
 
E não só estes listados acima, mas tantos outros que tiveram que sair de suas confortáveis posições, ora financeira, social ou mesmo teológica-filosófica para irem ao deserto vivenciar o fracasso de Deus que os tornariam, de fato, vencedores. (Hebreus 11.30-38)
 
Por fim, a cruz do calvário.
 
Quem em sã consciência veria o sacrifício da cruz como uma retumbante vitória? Os judeus a chamaram de escândalo, os gregos de loucura, mas para os cristãos: poder de Deus para salvar todo aquele que crê. (I Coríntios 1.23; Romanos 1.16)
 
Na concepção imediatista do homem, um espantoso fracasso, mas no plano redentivo de Deus um inquestionável triunfo.
 
Portanto, vivamos como cristãos conscientes de que Deus nos dará vitórias mesmo que elas venham disfarçadas em frustrantes fracassos.
 
N’Ele, que na cruz venceu e revela-se até mesmo em nossos fracassos.