quinta-feira, 8 de março de 2012

O QUE CRISTO PENSAVA SOBRE A BÍBLIA

O cristianismo é Cristo. Ele fica de pé ou cai de acordo com a Sua verdade. Se o que Jesus disse sobre a Bíblia não for verdadei­ro, então Ele e o cristianismo não são verdadeiros.

Vejamos essa idéia sob um outro aspecto. Supõe-se que os cristãos sejam seguidores de Cristo. Cristo disse algumas coisas muito importantes sobre a Bíblia. Assim sendo, todo aquele que se diz seguidor de Cristo deve aceitar o que Ele declarou sobre a Bíblia.

Bem no início do seu ministério, quando foi tentado pelo diabo, o Senhor afirmou sua fé na autoridade e confiabilidade da Bíblia. De fato, pelo que Ele disse naquela ocasião, julgaríamos que estivesse respondendo a todos os críticos e opositores contem­porâneos da Bíblia em nossos dias.

Por críticos contemporâneos me refiro àqueles que dizem que Paulo não escreveu 1 e 2 Timóteo e Tito, ou que Pedro não escre­veu 2 Pedro, ou que Isaías foi escrito por três pessoas, ou que Daniel não foi escrito pelo profeta Daniel no século VI a.C., mas por alguém que viveu no século II a.C, escrevendo na verdade a história como se fosse uma profecia. Os críticos contemporâneos também incluem pessoas que negam que Adão e Eva viveram realmente num certo lugar desta terra, numa certa época, e que fizeram certas coisas; ou indivíduos que afirmam que os aconteci­mentos considerados como milagres podem ser explicados natural­mente; ou aqueles que negam que as palavras da Bíblia são inspiradas.

Cristo pareceu prever todos esses ataques quando disse: "Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt 4.4). Observe os seguintes pontos do conceito de inspiração de Jesus:

As Declarações Bíblicas tem Autoridade

Cristo apelou para a Escritura como tendo autoridade. Ele disse: "Está escrito". Isto contraria o conceito barthiano ou neo-ortodoxo de inspiração. Ele não disse: "Ela testemunha", ou "ela indica", mas sim: "Está escrito". Em outras palavras, as declarações são em si e por si mesmas confiáveis, não por apontarem para uma Palavra superior, mas como estão, em sua forma escrita. Você pode confiar nas declarações como sendo declarações.

Os críticos de hoje dizem que a Bíblia contém apenas revelação pessoal e não proposicional. Isto é, embora a Bíblia revele realmente Deus e Cristo, ela o faz de um modo pessoal e não por meio de declarações. Podemos assim confiar na mensagem geral da Bíblia, mas não nas palavras específicas. Cristo disse que o que está escrito é digno de confiança e contém autoridade.

As Declarações da Bíblia têm Autoridade em suas próprias Palavras

Não apenas isso, mas Jesus cria também que as próprias palavras da Escritura tinham autoridade. Isto contraria a opinião daqueles que afirmam que só os conceitos da Bíblia são inspirados, mas não as palavras. Ele não disse que o homem viverá só pelo conceito, mas por toda palavra. "Toda palavra", disse Cristo, é importante e possui autoridade.

Note como o Senhor pôs isto em prática. Em certa ocasião, Ele foi confrontado pelos saduceus, que apresentaram um exemplo teórico de uma mulher que se casou com sete irmãos, um após outro, à medida que cada um deles morria (o que estava certo conforme a lei judaica). A pergunta deles foi: De quem a mulher seria esposa na ressurreição? O Senhor na verdade declarou que a pergunta era irrelevante, mas aproveitou a ocasião para afirmar a verdade da ressurreição, que os saduceus negavam (Mt 22.23-33).

Ele citou Êxodo 3.6 para dizer-lhes que existe vida após a morte. Essa passagem descreve o incidente em que Deus apareceu a Moisés, na sarça que queimava sem ser destruída. Deus disse ali a Moisés: "Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó". Isso prova, disse o Senhor, que Abraão, Isaque e Jacó ainda viviam quando Deus falou a Moisés, embora tivessem morrido séculos antes. Como pode ser isso? Pelo fato de Deus ter dito "Eu sou" o seu Deus e não "Eu fui" o seu Deus. Deus continuava sendo o Deus daquele povo, quando falou a Moisés, o que seria impossível se Abraão, Isaque e Jacó tivessem deixado de existir quando morreram.

A diferença entre "eu sou" e "eu fui" é naturalmente apenas uma questão de tempo do verbo. Assim sendo, a argumentação de Cristo para os saduceus se apoiou no tempo de um verbo. Cristo evidentemente cria que toda palavra continha autoridade.

Note também que Ele cria na exatidão histórica do relato de Êxodo 3. Ele supunha igualmente que não é possível separar a verdade doutrinária da exatidão histórica. A Bíblia não pode ser exata em questões de doutrina e inexata em questões de história.

Em outra ocasião, o Senhor arriscou sua vida (pois o povo estava pronto para apedrejá-lo por blasfêmia) numa única palavra (Jo 10.31-39, citando o Sl 82.6). Ao fazer uso de um argumento preciso de uma passagem como a do Antigo Testamento, Cristo baseou sua reivindicação de divindade com base numa única palavra (elohim) nesse salmo. Ele não poderia ter feito isso se não cresse na autoridade das próprias palavras da Bíblia. Note que Ele disse que a Escritura não pode falhar (Jo 10.35), significando que ela não pode ser esvaziada de sua autoridade.

As Declarações da Bíblia tem Autoridade em todas as suas Palavras

Jesus cria que toda palavra da Escritura tem autoridade. O homem, disse ele, viverá de toda palavra que vem de Deus, e não de apenas algumas, E comum se afirmar hoje que parte da Bíblia é inspirada, mas nem toda ela Os que se apegam a esse ponto de vista geralmente afirmam que a mensagem da salvação da Bíblia é inspirada, mas nem todas as histórias são históricas, nem todos os milagres são sobrenaturais, e nem todos os detalhes são verdadeiros.

Mas, quem é que escolhe? As partes da Bíblia que uma pessoa seleciona como inspiradas irão formar uma Bíblia diferente daquelas que outra reúne. Quem está com a razão? Mais importante ainda, quem está errado? Talvez alguém diga que uma seção é inspirada e outra pessoa concorde, mas na realidade ela não é inspirada. A sua fé é colocada numa Bíblia organizada subjetivamente, mas não na revelação objetiva e total que Deus nos deu.

Note que Cristo tratou o material histórico do Antigo Testamento como fato verdadeiro. Ele reconheceu que Adão e Eva foram criados por Deus, que eram dois seres viventes e não apenas símbolos da humanidade em geral, e que fizeram certas coisas (Mt 19.3-5; Mc 10.6-8). Ele conferiu eventos ligados ao dilúvio ocorrido na terra nos dias de Noé, dizendo que houve uma arca e que o dilúvio matou todos que não se achavam nela (Mt 24.38-39; Lc 17.26-27). Ele aceitou a verdade da história sobre Jonas e o grande peixe que o engoliu (Mt 12.40). Jesus confirmou o fato de Deus ter destruído a cidade de Sodoma e que Ló e sua mulher existiram realmente (Mt 10.15, 23; Lc 17.28-29). Ele reconheceu a historicidade de Isaías (Mt 12.17; Elias (Mt 17.11-12; Daniel (Mt 24.15); Abel (Mt 23.25); Zacarias (Mt 23.35); Abiatar (Mc 2.26); Davi (Mt 22.45); Moisés e seus escritos (Mt 8.4; Jo 5.46); e Abraão, Isaque e Jacó(Mt 8.1 l;Jo 8.39).

Cristo não aludiu simplesmente a esses acontecimentos, Ele os autenticou como história verídica e confiável.

As Declarações da Bíblia que tem Autoridade em todas as suas Palavras vieram de Deus

Jesus cria que a fonte da Escritura é Deus. Paulo escreveu sobre este mesmo fato, quando declarou que toda Escritura é inspirada por Deus (2 Tm 3.16). Deus é verdadeiro; Deus inspirou as palavras da Bíblia. Portanto, podemos confiar que a Bíblia é verdadeira, e o homem não a corrompeu ao se envolver no processo de escrevê-la (2 Pe 1.21).

As Declarações da Bíblia que vieram de Deus e tem Autoridade em todas as suas Palavras são Relevantes

Em último lugar, Jesus cria que os ensinos da Escritura deveriam ser aplicados à vida diária. A Bíblia não é apenas um livro para ser estudado pelo seu conteúdo, mas para verificar de que forma esse conteúdo se relaciona com a nossa vida. O Senhor escolheu passagens relativamente obscuras para usar contra o diabo (todas eram de Deuteronômio, não sendo geralmente encontradas nos versículos que guardamos de memória!). Lembre-se também do incidente a que me referi em João 10.31-39, onde o Senhor citou Salmo 82.6, versículo bastante comum, a fim de responder aos que estavam para apedrejá-lo.

Se as palavras da Bíblia são relevantes para a vida de hoje (e elas são), vale a pena aprendê-las. A pior parte desse processo é, com freqüência, o primeiro passo, ou seja, abrir a Bíblia e começar a lê-la. Mas o tempo e o esforço dispendidos no aprendizado do que a Bíblia diz valem a pena, pois você não pode viver só de pão, necessitando de toda palavra que procede da boca de Deus.

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